COMO FUNCIONAM AS ANTENAS MILAGROSAS

Antenas milagrosas funcionam em qualquer faixa e permitem operar o transmissor, com ROE de 2:1 ou melhor sob quaisquer condições, com 75% de sua potência total e, ainda mais, sem acoplador. 
 
Antenas milagrosas já existem há muito tempo. Na realidade, a antena propriamente dita é um dipolo qualquer de 2x8 metros de fio. O segredo está na caixa preta que liga a antena milagrosa ao cabo coaxial. Por medida de precaução contra olhos curiosos, esta caixa vem preenchida com massa plástica. Assim o radioamador não descobre o que ela contém, a não ser que tenha amigos na função de radiologista em algum hospital. 
 
Enquanto as antenas milagrosas só foram produzidas por pequenas empresas, não se podia descobrir seu conteúdo exato, mesmo com o auxílio de raio-X, embora já tenham existido indícios fortes da
presença de resistores não-reativos de alta potência, para melhorar a ROE da carga apresentada ao transmissor. Por este motivo, a antena milagrosa nem foi incluída no meu livro '/Handbook do Radioamador".
 
Acontece que agora, apesar dos acopladores automáticos embutidos, uma das três gigantes indústrias japonesas de equipamentos de radioamador, a ICOM, acaba de lançar a antena milagrosa para ser utilizada com ostransceptores de sua fabricação. 
 
Tratando-se de uma empresa de renome mundial, não podem deixar de constar, em seu catálogo, as especificações técnicas que, por sua vez, nos permitem reconstituir sua construção e o princípio de funcionamento. 
 
Especificações técnicas do ICOM modelo MN-100 ( para dipolos de 2x8m) e MN-100L (para 15 m de fio):
Potência máxima: 200 Watts PEP (SSB), 100 Watts CW.
Cobertura: 1,8-30 MHz.
Impedancia nominal de entrada: 50 Ohms.
Perda de inserção: aproximadamente 6 dB. ROE: menor que 2:1 ao longo da cobertura.

Entre estas informações, a perda de 6 dB nos fornece o segredo do "milagre", e a potência máxima de 100 Watts CW, o limite de dissipação. Para maior simplicidade, vamos desenhar a "caixa preta" unicamente para um equivalente ao modelo MN-100, a ser utilizado com o dipolo de 2x8 metros. 
 
R1 é um resistor não-reativo até 30 MHz, de carborundum, de 100 Ohms, para dissipação de 100 Watts. R2 é um resistor não-reativo até 30 MHz, de carborundum, de 33 Ohms, para dissipação de 50 Watts. O balum transforma a carga balanceada do dipolo em impedancia equivalente nãobalanceada. 
 
Podemos constatar com facilidade que, com os terminais de antena abertos, teremos 100 Ohms (ROE=2:1), e com os terminais de antena em curto-circuito, teremos 25 Ohms (ROE= 2:1), não podendo ultrapassar este valor de ROE qualquer que seja a impedancia do dipolo em qualquer freqüência entre 1,8 MHz e 30 MHz (o limite inferior é determinado unicamente pelo balum). 
 
Como já mencionado no início, caixa preta não é invenção nova. Ela já existia muito antes de os fabricantes de transceptores de estado sólido terem incorporado em seus aparelhos acopladores automáticos que, dentro de seus limites de alcance de impedancia, oferecem serviço bem melhor
(ROE = 1:1), com perdas substancialmente menores. 
 
Acontece que os transceptores de HF de estado sólido produzidos na primeira metade da década de 80, e até muitos hoje fabricados, não incorporam acopladores automáticos. Assim mesmo, a ICOM pode ter recebido solicitações para fornecer um produto que permita ligá-los a qualquer antena sem que sua potência de saída caia mais de 25%, considerada condição satisfatória de funcionamento do transceptor. 
 
O que significa desempenho satisfatório do transceptor? Caindo a potência de saída em 1,25 dB ( de 100 Watts para 75 Watts), e com uma perda deinserção (devido aos resistores) de 6dB, teremos uma perda total de 7,25 dB, chegando à antena 18,75 Watts. Na estação contatada, isto significa uma redução de menos de uma divisão e meia no essímetro, com relação a uma antena convencional, sem caixa preta, mas corretamente acoplada, desdeque o diagrama de irradiação das duas antenas seja idêntico. 
 
Esta diferença não é do outro mundo. Vários colegas brasileiros, entre eles PY2WZ Paulo e PY3EM Érico, estão satisfeitos com o desempenho da antena milagrosa da ICOM, apesar das perdas que aparecem tanto na transmissão quanto na recepção. É recomendável como antena auxiliar para radioamadores que,sem possuir acoplador automático ou manual, desejem estar preparados
para operar a qualquer momento em qualquer faixa de ondas curtas, e até em160 metros, mesmo sob condições precárias.