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CASA DO RADIOAMADOR GAÚCHO -
CRAG
Sérgio Marsiaj da Rocha - PY3AGT
Foi
a 17 de outubro de 1957. Há quarenta anos. Os gaúchos, mais uma
vez, se rebelavam à arbitrariedade da Corte. Os desmandos de um
grupo minoritário, reunido no Rio de Janeiro, então Capital da República,
decretaram o início de um movimento redentor dentro da LABRE.
Vencidos
os argumentos do bom senso, da decência e da fraternidade, que
deveriam imperar no seio do radioamadorismo brasileiro, acrescidos
da prepotência e da vaidade humana, foi reformada a lei maior da
entidade. Foi criado um colégio nomeado e vitalício, com maioria
em todas as unidades estaduais. O patrimônio existente em todo o país
foi unificado, passando a constituir um bem nacional.
Eram
as células que formavam o corpo labreano que se modificavam, não
por evolução natural em direção ao desenvolvimento de um ser
melhor e mais estruturado, mas sim, se transformavam num elemento déspota
e arbitrário.
O
Rio Grande do Sul, rincão da “liberdade, igualdade e
humanidade”, dístico de sua bandeira, não podia concordar com os
fatos que eram impostos.
A
toda força, corresponde outra força em sentido contrário. Contra
o triste espetáculo que assistíamos, desencadeou-se uma reação
inversa, com maior intensidade, pois era movida pelo ideal e pelo
amor às causas santas.
E
foi assim que amadureceu a idéia de contarmos, não só com a
garantia do patrimônio que iríamos construir, como também e
principalmente, como aquela reação contra as atitudes condenáveis
que haviam nos tentado fazer digerir.
E
foi assim que surgiu a CASA DO RADIOAMADOR GAÚCHO - CRAG.
Reunidos
na 4a. Convenção dos Radioamadores do Rio Grande do Sul, paralelo
ao Rancho do Radioamador Gaúcho de 1957, tomou-se a diretriz de
erguer uma nova entidade que serviria de escudo às agressões que
sofrêramos.
O
plenário daquela 4a. Convenção teve o mérito de lançar o brado
de repulsa e rebeldia, fundando a CASA DO RADIOAMADOR GAÚCHO -
CRAG.
Mas,
vejam bem, nossa atitude não foi de afastamento ou desligamento da
entidade maior, a LABRE. Criamos uma nova estrutura, mas continuamos
fazendo parte do corpo mutilado, que necessitava de urgente terapia
magistral.
E,
como primeira dose do remédio que prescrevemos, injetamos a CRAG
nas veias do organismo, que, a olhos vistos, se deteriorava a cada
dia.
O
exemplo dos gaúchos frutificou e, em breve, outras labres estaduais
também lançaram seus gritos de inconformidade. E outras crags
surgiram.
Em
fins de 1959, dois anos após, a medicação prescrita surtiu efeito
e a LABRE se reformulou, os direitos estaduais foram restaurados e
até ampliados. Os patrimônios existentes nos Estados passaram a
ser, definitivamente, propriedade de cada um. Os órgãos diretivos
voltaram às mãos da maioria. Restabelecido o enfermo, voltou a
LABRE a constituir o órgão de representação do Radioamadorismo
brasileiro, no âmbito nacional e internacional, a par de congregar
os seus associados, como órgão de defesa de seus interesses
radioamadorísticos.
Vencida
esta etapa, motivo primordial de fundação da CRAG, veio ela cobrir
uma lacuna nas finalidades da LABRE.
Nossa
sexagenária entidade, surgida em 1934 pela fusão de duas
sociedades de radioamadores, uma de São Paulo e outra do Rio de
Janeiro, tem responsabilidades de representar, defender e estimular
o radioamadorismo brasileiro, a nível nacional e internacional. E,
isto nunca é demais destacar, pois muitos pensam, erradamente, que
a LABRE é um clube de lazer, de assistência social e recreativo.
Não,
a LABRE não é nada disto. É nossa representante junto aos órgãos
governamentais, pleiteando, nos defendendo e colaborando nos
entendimentos junto à União.
Tem,
ainda, assento no organismo internacional, a IARU, entidade que nos
defende nas reuniões da UIT, quando os interesses comerciais dos
grandes grupos empresariais, visam retirar-nos de segmentos de faixa
de operação.
É
preciso que todos compreendam isto e não cobrem da LABRE solução
de problemas, por atribuições que ela não tem. Como foi dito, a
CRAG preencheu aquela lacuna, isto é, proporcionar aos
radioamadores as atividades e as vantagens com as finalidades que
muitos querem atribuir à LABRE.
A
CRAG é a proprietária do imóvel onde está instalada a sede
social, adquirida com o esforço daqueles mesmos associados que a
fundaram, ajudados por um grande grupo de voluntários e auxiliados
por algumas entidades. Entre estas, podemos citar o Banco do Estado
do Rio Grande do Sul S.A., nas pessoas de seus dirigentes daquela época
e o Governo do Estado, representado pelo Governador de então.
Muitas empresas poderíamos mencionar, o que não fazemos, para
evitar algum esquecimento, o que seria uma injustiça.
Reconhecida
de utilidade pública, por decretos municipal e estadual, podemos
dizer, salvo lapso de memória, que manteve: cursos de Telegrafia e
Radioeletricidade; manutenção de uma estação oficial, PY3BB,
instalada na Sede e integrante de uma rede de atendimento aos sócios
do Interior, em horários predeterminados; PY3BB usada, ainda, por sócios
em trânsito, o que muito contribuía para a comunicação, uma vez
que na época a telefonia era precária; seguro de vida em grupo,
para seus sócios; cooperativa de produtos de rádio, transmissão e
recepção; concursos e diplomas, de rádio-comunicação; exercícios
de emergência, a partir da Sede social e de acampamentos no campo e
em ilhas, com finalidade de treinamento, para atividade em
calamidades públicas; deu continuidade às convenções de
radioamadores, o que, aliás, é uma atividade estatutária; cooperação
efetiva na organização dos Ranchos do Radioamador Gaúcho; de
festas e reuniões dançantes beneficentes, congregando o quadro
social; publicou a “CRAG em Revista”, uma revista mensal, com
artigos originais, de interesse geral e técnicos sobre rádio-comunicação.
Talvez outras atividades pudessem ser relacionadas, porém a memória
deixa dúvidas.
Como
se vê, a CRAG trabalhou bastante em benefício dos radioamadores gaúchos,
procurando, sempre, integrar a Capital com o Interior. Toda esta
atividade durou alguns anos. Lamentavelmente, com o passar do tempo,
lá pela década dos anos 70, já havendo a errônea mentalidade de
que a LABRE deveria prestar todos estes serviços, considerando que
a ameaça de perda do patrimônio não mais existia e, finalmente,
que havia uma só diretoria para as duas entidades, foram sendo
abandonadas as iniciativas da CRAG.
Ainda
mais lamentável, é que a maioria do que era feito, não foi
continuado com a existência, “de fato”, só da LABRE/RS. “De
direito”, a CRAG ainda vive.
Mas,
de tudo isto ficou um ensinamento, qual seja que, quando os homens
querem, são idealistas e não medem esforços para atingir ideais
sadios, tudo pode ser feito.
Esta
é a nossa esperança. Que os atuais e futuros radioamadores
tornem-se associados e cooperem, para que a CRAG e a LABRE/RS se
completem, proporcionando uma assistência eficiente e digna de
todos.
Para
a CRAG nossos votos de um futuro cheio de realizações em benefício
do puro radioamadorismo.
Obs.: Matéria publicada no QTC MINUANO, Boletim
Informativo da LABRE/RS, em novembro de 1997, Ano 2, nº.12.
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Colaboração: IVAN
DORNELES RODRIGUES - PY3IDR |
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email:
ivanr@cpovo.net |
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