Ernest Grimm, PP5AS
Rádio ainda fascina muitos paranaenses. Todo mês, mais de 100 pessoas pedem autorização para serem radioamadoras. A revolução provocada pela internet não abalou o interesse por uma forma de comunicação à distância bem mais antiga: o radioamadorismo. No Paraná, a cada mês entre 100 e 150 pessoas procuram o escritório da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) pedindo autorização para tornarem-se radioamadoras. Segundo o gerente de outorga do escritório, Mário Maito Neto, onúmero de pedidos de licença aumentou três vezes nos últimos cinco anos e supera o de cancelamentos, fazendo com que o total delicenciados cresça continuamente. Atualmente, há no Paraná 2.543 pessoas físicas ou jurídicas autorizadas a executar serviços de radioamadorismo, operando 3.115 estações. Nem todos são ativos. "Acredito que metade desse pessoal dedica-se de forma constante", diz Harry Behr, membro da Federação Paranaense de Radioamadorismo e radioamador há 43 anos. Segundo ele, motivos como a falta de tempo, a adesão a formas mais modernas de comunicação (como a internet e o telefone celular) ou o simples desinteresse levam alguns a "aposentar" os rádios. A chegada constante de novos interessados, porém, mantém vivo o radioamadorismo, um hobby cujos adeptos são considerados parte de uma reserva especial das Forças Armadas e podem ser chamados a prestar serviços em caso de emergência. Behr lembra que o sistema de radioamador foi a única forma de comunicação à distância a permanecer operante durante os ataques terroristas em Nova Iorque, em setembro passado. No Brasil, o Ministério da Integração Nacional baixou recentemente uma portaria criando a Rede Nacional de Emergência de Radioamadorismo, que cadastra voluntários para atuar em caso de tragédias como inundações e incêndios. Situações como essa, contudo, são exceções. No dia-a-dia, os radioamadores utilizam as ondas hertzianas com objetivos mais amenos, como trocar informações, levar notícias a pontos distantes ou simplesmente aproximar pessoas. A possibilidade de fazer amigos pelo rádio é o que fascina Eric Staichok. Aos 10 anos, ele acaba de obter seu primeiro indicativo - um conjunto de letras e números único para cada radioamador. Por enquanto, Eric - ou ZZ5-MUZ - fala num HT, equipamento móvel que só permite comunicar a curtas distâncias. "Quando eu tiver idade para subir de classe, quero um rádio grande, para falar até com o Japão", diz. O menino segue os passos do avô, do pai e de uma tia, também radioamadores. É um tipo de história comum nesse meio. Olavo Scherrer, o paranaense recordista em países contatados pelo rádio, também tem um filho radioamador. Aos 81 anos, seu Olavo tem 50 de radioamadorismo. Hoje, já não dedica tanto tempo ao hobby, mas também não descuida da manutenção do status de campeão, com contatos feitos em 361 países:"Quando aparece um país novo, como foi o caso recente do Timor Leste, vou para o rádio". Para ele, o computador jamais vai superar o fascínio que o rádio exerce sobre muitas pessoas: "Muita gente vira radioamador por causa do interesse pela eletrônica." |