Ernest Grimm, PP5AS
É de um apartamento confortável no bairro do Juvevê, em Curitiba, que sai a voz grave de uma das radioamadoras mais famosas do Brasil: América Almeida, de 73 anos. Radioamadora há quase 40, ela dedica em média cinco horas por dia a contatos com embarcações, atividade que a tornou conhecida como "o anjo dos velejadores brasileiros". Navegadores famosos como Amir Klink e a família Schürmann encontraram na curitibana uma espécie de porto seguro virtual durante suas viagens. Pelo rádio, ela dá notícias atualizadas sobre o Brasil e o mundo, anima os viajantes e serve de elo de ligação entre eles e suas famílias. Ao lado do rádio, dona América tem instalado um computador, que usa esporadicamente para mandar ou ler mensagens. Mas a graça, para ela, não é a mesma: "Eu gosto de ouvir a voz das pessoas." O rádio já permitiu a dona América falar com mais de 300 países. Ela diz que pode contar nos dedos os países que ainda não visitou; viaja sempre a convite de alguém que conheceu pelo rádio. O apartamento é repleto de lembranças do mundo todo, além de dezenas de diplomas e placas de homenagens. Nos armários, dona América guarda cadernos nos quais faz uma espécie de diário de seus contatos e que sonha transformar num livro. Dona América já manteve o rádio ligado durante todo o dia, mas hoje restringe os contatos ao período das 17 horas à meia-noite: "Estou meio cansada. Às vezes ameaço parar, mas os amigos do rádio dizem que não deixam." |