Radioamadorismo alia-se às novas tecnologias para continuar ativo. (Jornal da Paraíba, 23.julho.2006) - Creusa Oliveira Na primeira década do século passado (1914), o radioamador surgia como um dos mais poderosos meios de comunicação; numa época em que a telefonia apenas engatinhava, o radioamador já permitia a comunicação falada, sem fio, entre os continentes, sendo usado como instrumento de solidariedade entre os povos. Passados 92 anos, quem pensa que o radioamadorismo foi superado pelas novas tecnologias de comunicação, como a internet e os celulares, por exemplo, engana-se. Esse sistema não só resiste ao tempo, como se renovou tecnologicamente e em vez de disputar com os novos meios existentes, alia-se a eles e hoje conta com o apoio de satélites e da internet, ampliando a precisão da transmissão e recepção dos sinais e se fortalecendo ainda mais como alternativa de qualidade no campo das comunicações. O primeiro núcleo de Radioamadorismo da Paraíba foi instalado em Campina Grande na década de 30, por João Miguel de Moraes; o ineditismo da estação projetou a cidade em todo o Brasil. Hoje, a Escola e Casa de Radioamadores de Campina Grande (Ecra), fundada pelo franciscano alemão Frei Lauro, em 1963, possui uma das maiores e melhores estruturas do País. É uma instituição sem fins lucrativos que mantém viva a chama do radioamadorismo, formando jovens para a prática desta solidária forma de comunicação intercontinental. Na Paraíba, existem atualmente 1.515 radioamadores registrados na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel); em Campina Grande são 158 (destes apenas 60 são associados à Ecra). Na escola podem ser praticadas todas as modalidades permitidas p ela Anatel, da telegrafia (neste campo, o campinense Alexandre Filho, é um dos 40 radioamadores mais rápidos do Mundo) à comunicação falada (o associado Jackson de Farias já ganhou uma comenda de honra ao mérito da Liga Americana por ser um dos poucos radioamadores do Mundo a realizar contato com mais de 300 países em um concurso internacional), até a radiocomunicação via satélite. Apesar da estrutura, uma área construída de 1.800 m², com salas de aula e laboratório de eletrônica e telecomunicações, dispondo de uma estação que possibilita aos seus associados freqüentes contatos (nas bandas HF, VHF e UHF nos modos analógico e digital) com o mundo inteiro, os modernos equipamentos estão sendo subutilizados. “Hoje, os radioamadores tem sofisticadas tecnologias à mão, mas estão fechados em conchas, a maioria prefere a prática isolada, longe do convívio com os colegas, contrariando uma característica desta atividade, que é a reunião de aficionados; esse isolamento acaba enfraquecendo e prejudicando o funcionamento desta Casa, que poderia ser melhor utilizada, ampliando a oferta de serviços de utilidade pública”, afirma o presidente da Ecra, o juiz aposentado Octany Batista. a.. Profissionais ajudam as comunidades O Radioamadorismo sempre prestou serviços de utilidade pública em todo o planeta; é uma atividade que conta com uma vantagem: não precisa de energia elétrica para funcionar e as unidades portáteis são ideais para situações, como uma guerra por exemplo. “Tanto no 11 de setembro, em Nova York, como nos ataques de Israel contra o Líbano, o trabalho anônimo dos radioamadores está ajudando a salvar vidas; a falta de remédio e alimentos é comunicada às equipes de salvamento, minimizando sofrimentos com agilidade da informação”, diz Batista. No referendo sobre o desarmamento, realizado no ano passado, a Justiça Eleitoral contou com o apoio logístico da Ecra, que disponibilizou 20 estações distribuídas em diversas localidades do Compartimento da Borborema, facilitando a solução de problemas; nesta eleição de outubro de 2006, o mesmo apoio foi solicitado aos radioamadores campinenses, que já estão se mobilizando e convocando voluntários para montar as equipes que vão compor a estrutura auxiliar de comunicação. Um exemplo do trabalho humanitário realizado pelos radioamadores foi registrado na época do rompimento da barragem de Camará, quando eles se mobilizaram avisando às populações ribeirinhas da gravidade do acidente, evitando mais mortes naquela tragédia. “Existe uma Rede Nacional de Emergência de Radioamadores, que é um projeto do Ministério da Integração Nacional em parceria com as coordenações da Defesa Civil dos municípios; a Paraíba conta com 30 radioamadores, o terceiro maior número de voluntários da rede; sendo solicitados pela Defesa Civil, estamos prontos para ajudar”, assegura Batista. Resgatar e fazer com que a escola volte a ser referência nacional no Radioamadorismo, é uma das metas da atual diretoria. Segundo o coordenador de cursos da Ecra, Paulo Germano, cursos na área de informática e tecnologia da comunicação são oferecidos regularmente e gratuitamente a jovens carentes da cidade, através da parceria com o Programa Sebrae Solidário, Pastoral da Juventude, Rix Internet e a organização não-governamental alemã DBrazilian und Uganda Hilfe.(CO)