Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro

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Radioamadores farão parte da defesa civil

Brasília - Assim como nos Estados Unidos, os radioamadores no Brasil terão um papel essencial na rede de defesa civil que o governo está montando no País para enfrentar eventual ataque terrorista.

Nesta quarta-feira, o ministro interino da Integração Nacional, Pedro Sanguinetti, assinou acordo com a Liga de Brasileira de Radioamadores (Labre), para criar a Rede Nacional de Emergência de Radioamadores (Rener).

"Teremos mais um instrumento para combater ameaças de acidentes, desastres e calamidades, inclusive essas que se apresentam no quadro do terrorismo internacional", disse o ministro interino.

Segundo ele, o novo instrumento fortalecerá o Sistema Nacional de Defesa Civil. A Rener tem por objetivo facilitar as comunicações em todo o País, quando os meios convencionais não puderem ser acionados, em razão de situação de emergência.

Um grupo de trabalho foi criado para elaborar as normas de ativação e execução dos serviços a serem desenvolvidos pela Rener, que será subordinada operacionalmente à Secretaria Nacional de Defesa Civil.

O presidente da Liga de Radioamadores, Gustavo Faria Franco, informou que, quando houve o ataque terrorista aos Estados Unidos, em 11 de setembro, os radioamadores brasileiros ajudaram a localizar muitos familiares que estavam desaparecidos, tranqüilizando várias famílias.

Embora hoje cerca de 40 mil radioamadores estejam cadastrados no sistema, apenas dez mil estão operando efetivamente. Esses dados, na avaliação do presidente da Labre, indicam que a rede pode ser bastante ampliada.

Com a criação da Rener, muitas estações de radioamadores serão reativadas e será reforçada a Patrulha da Madrugada, rede operada em todos os Estados brasileiros e que se comunica sistematicamente.

O ministro interino da Integração convocou para a terça-feira da semana que vem uma reunião com todos os representantes do governo federal para que se integrem à defesa civil.

O objetivo do encontro, segundo Sanguinetti, é fortalecer o Sistema Nacional de Defesa Civil para combater ameaças de calamidades e prevenir possíveis desastres provocados pelo terror.

O ministro não quer fazer alarme, mas adverte que todos os setores do governo que têm um braço na defesa civil têm de estar cientes do papel a ser desempenhado, caso o País enfrente algum problema.

Na reunião, Sanguinetti vai pedir aos representantes dos ministérios que façam levantamento dos meios disponíveis em suas respectivas áreas e preparem um plano de contingência para ser discutido em um próximo encontro.

Em seguida, esses ministérios deverão apresentar um plano de ação e definir quem deve ser procurado em caso de algum tipo de calamidade, para que uma rede de ação emergencial seja formada e fique em condições de ser colocada em operação.

Reunião semelhante já ocorreu, no início do mês, com representantes dos Estados e municípios.

Tânia Monteiro

Agencia Estado Quarta-feira, 24 de outubro de 2001