PM capacita radioamadores para catástrofes
Lígia Ligabue – Jornal da Cidade de Bauru/SP, 22.ago.2007
Com toda a comunicação mundial baseada em satélites e recebida em monitores, celulares e telefones fixos, como ficaria a troca de informações em Bauru, por exemplo, se a cidade fosse vítima por uma catástrofe natural, ou durante uma pane eletrônica? A saída é utilizar a comunicação via rádio, entre as centenas de radioamadores da cidade e região. Para fortalecer a parceria entre a Polícia Militar e esse grupo, foi realizado ontem, uma palestra de gerenciamento de crise na sede do 4.º Batalhão da Polícia Militar do Interior (4.º BPMI).
De acordo com o Nélson Garcia Filho, subcomandante do batalhão, em situações de crise, os radioamadores podem ser acionados. Além disso, como eles mantêm uma rede de contato bastante ampla e de grande alcance, podem se deparar com situações inusitadas e se verem na necessidade de realizar algum socorro.
Para isso, durante a palestra, o tenente Roger Marcel Vitver informou aos radioamadores de Bauru e região como lidar nessas situações de emergência. “Como estão em todos os lugares, eles podem auxiliar de diversas formas. Durante uma catástrofe, ele fazem o serviço de comunicação. Em um acidente, podem chamar o socorro”, explica Vitver.
Garcia ressalta que durante uma situação crítica, os radioamadores podem fazer a diferença. “A comunicação via rádio é gratuita e tem muita autonomia. Além disso, nas estações móveis, como as dos automóveis, eles podem contribuir muito com a polícia. Por exemplo: numa estrada vicinal, de terra, se presenciarem um acidente podem chamar socorro sem problemas”, observa.
Estigma
Poucas pessoas sabem, mas caso o famoso Bug do Milênio - uma teoria que dizia que todos os computadores iriam retroceder ao início do século no ano 2000, praticamente desligando o mundo todo - realmente acontecesse, Bauru continuaria ligada ao resto do planeta por conta dos radioamadores. A informação é de Keneti Kawashima, que há 40 anos é um entusiasta da comunicação via rádio.
Ele lembra que na época, foi acionado pelo Exército para coordenar uma rede de radioamadores no Centro-oeste do Estado. “Ficamos ligados 24h. Caso acontecesse alguma coisa, acionaríamos a rede. Mas o único problema aconteceu em Votuporanga e foi bem pequeno”, lembra. A ação rendeu aos radioamadores homenagens do Exército e do então prefeito Nilson Costa.
Sobre a importância do radioamadorismo, Kawashima destaca o desastre em Kobe, no Japão, quando um terremoto em janeiro de 1995 destruiu a cidade. “Eles montaram uma rede de emergência e as autoridades só conseguiam contato com o local via radioamadores”, conta.
Para ele, é preciso acabar com o estigma que a comunidade ainda mantém sobre o assunto. “Não somos um bando de malucos que ficam falando sozinhos”, defende, bem-humorado. Sobre a reunião com a PM, Kawashima aprova a parceria. “No que for necessário à área da telecomunicação, estamos ao dispor”, ressalta.