Não temos dúvidas em afirmar que os radioamadores formam um dos maiores clubes leigos do mundo.
O mundo é um imenso reservatório da boa vontade, disso temos consciência.
As incompreensões são criadas e exploradas, quase sempre, por uma minoria inconformada.
Essa assertiva, entretanto, está longe de ser explicada ao radioamador que, com sua
compreensão ótica, sua vontade consciente, seu sentimento de fraternidade, seu patriotismo
acendrado, sua crença num Ente Supremo, se sobrepõe aos interesses subalternos que tem
levado o mundo a discórdia e a incompreensão, perturbando a harmonia universal.
É incontestável, portanto, que a nossa finalidade colima sempre uma boa causa, sem dela fazermos alarde.
Por isso mesmo, dentro da sinceridade e limpidez com que se ornam as boas causas,
as manifestações do pensamento humano, traduzindo os sentimentos sadios dos seus
batalhadores, onde nós radioamadores nos incluímos, varam os anos e chegam a posteridade.
É o fruto vivificador daqueles que tem por escopo o bem comum, a felicidade geral, a paz
interior.
Os radioamadores são esses bandeirantes que rasgam as estradas largas
da técnica, da confraternização, do serviço ao próximo, criando em cada um
de nós o sentimento do dever cumprido.
A segura formação do radioamador, a sua integração nos problemas
humanos, sociais, técnicos ou econômicos, o leva a preservação da unidade,
porque sabe relacionar os fatores positivos e eliminar as quantidades
negativas.
Os radioamadores são esses viajantes do éter, que conquistam o espaço
e penetram em todos os cantos, plantando em cada pouso a semente da
concórdia e fazendo-se presente nas maiores conquistas do saber humano e
nas menores. São os matizes das condições sociais ou econômicas, das
condições étnicas ou religiosas, o radioamador‚ sempre igual, nem inferior,
nem superior.
O radioamadorismo nivela todos a uma mesma altitude, onde todos se
vêem, todos se olham, todos comungam a mesma idéia, o mesmo objetivo: "o
bem da humanidade, a paz universal, a compreensão humana".
É fora de dúvida, portanto, que devemos lutar, pois só através da luta
no bom sentido, do esforço tenaz, o homem pode subir, progredir,
sublimar-se. O aniquilamento é a negativa do valor. Enquanto o homem não
se conhece, não alcança a paz de espírito, não confia em si mesmo, sente a
impressão do medo e não consegue nem a clareza para encontrar as soluções
pelas quais o coração anseia. Conhecer-se, entretanto, não consiste apenas
em observar o modo de ser, depensar ou de agir. O verdadeiro conhecimento
é de caráter ativo e se traduz em realizações. E é no radioamadorismo que
encontramos todas as possibilidades para que o homem se complete, se torne
um forte e aprenda a querer amar, como aprende a trabalhar e a servir.
E por entendermos o radioamador, é que dizemos, sem dúvida nenhuma,
serem eles o baluarte da integração, os paladinos da união, os irmãos que
sabem o que pode o homem quando tem a consciência sadia.
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