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EXPEDIÇÃO  À ILHA DE  SÃO  SEBASTIÃO

Paulo Hernandes – PT2NP

Esta expedição, a sexta realizada pela ABRA, foi tentativa de ativarmos uma ilha que muitos 
colegas necessitam para obterem o diploma IOTA e que raramente se ouve na faixa. Assim, 
apenas quatro meses decorridos da operação no arquipélago de São Pedro e São Paulo, pusemos 
pé na estrada para mais uma aventura.

Dentro do espírito de abertura progressiva a outros colegas na participação em nossas 
expedições, convidamos alguns, como Jay Lira (PP5LL), que chegou a confirmar presença mas 
na penúltima hora desistiu por motivos justificados. Outro colega que havia manifestado 
interesse em se juntar a nós, Gustavo (PT2ADM), alegou problemas familiares para declinar do 
convite. Outros ainda chegaram a ser cogitados, mas, por dificuldades de comunicação, não 
chegaram a ser contatados. Na verdade, estávamos preferindo colegas da capital paulista, devido 
à vantagem da proximidade física. Conseguimos, enfim, a adesão de PY2HN, Martins, e 
PY2PA, Jacinto (Jac), residentes no âmbito da grande São Paulo. Ambos dispuseram-se a 
participar e a levar seus rádios como reserva. 

A viagem de ida dos expedicionários de Brasília realizou-se em três etapas, em automóvel de 
propriedade de PT2NP, Paulo: Brasília (DF)/Barretos (SP); Barretos/São José dos Campos (SP) 
e São José dos Campos/Ilhabela (SP). Uma vez em São José, Paulo e Lunkes dirigiram-se a 
Guarulhos (SP), onde se localiza depósito da transportadora, para retirada do material 
despachado. Foi contatada picape em São José, na qual o material foi carregado para ser levado 
até Ilhabela. Combinamos com o transportador retornar a essa cidade no dia 26 de julho para 
realizar o percurso inverso, o que aconteceu pontualmente.

De Guarulhos, retornamos a São José dos Campos e, de lá, rumamos para Ilhabela. Paulo havia 
contatado um hotel local, o Fita Azul, cuja gerente, Sra. Sônia Regina Gomes Cavalheiro, havia 
se disposto a conseguir acomodações para os expedicionários em dois locais. Isso faria com que 
pudéssemos operar com duas estações simultâneas sem perigo de interferência recíproca, 
problema que já nos havia afligido em várias operações anteriores. Assim, uma vez em Ilhabela, 
encaminhamo-nos diretamente para aquele hotel para contato pessoal com a Sra. Sônia, que, 
logo após, nos levou até um dos QTHs, próximo ao seu hotel. Dissemos-lhe que havíamos 
combinado com os outros colegas nos reunirmos no dia seguinte, no Hotel Fita Azul, para o café 
da manhã, quando traçaríamos as diretrizes da operação. PT2NP, Paulo, em negociação com a 
citada senhora, conseguiu algumas facilidades e apoio do hotel em troca de publicidade nos 
cartões QSL. Quanto aos colegas que ficariam no outro QTH, esse acordo acabou não 
funcionando. De qualquer forma, o café da manhã estava incluído na locação dos dois imóveis. 
Ela também acabou fornecendo sem ônus roupa de cama para os dois locais.

PT2NP e PY2HN instalaram-se numa dupla de apartamentos situados nos fundos de um misto 
de bar e mercearia, próximos ao Hotel Fita Azul, com área externa suficiente para instalarmos as 
antenas, ou seja, uma DX88 e uma das 3DX3 Jr. Lembramos que uma destas antenas foi-nos 
doada pela Electril e a outra, comprada no fabricante. Aquele QTH foi destinado à operação de 
ZY2SS e os expedicionários dormiram num deles e operaram no outro.

A outra dupla, PT2HF e PT2PA, acomodou-se no outro QTH, um chalé situado a cerca de cinco 
quilômetros de distância, também com área externa suficiente para instalação dos mesmos tipos 
de antenas, para ativação de ZW2SS.

Todos os componentes do grupo participaram da montagem das duas estações e a operação 
iniciou-se no dia previsto, 22.07.99. Para nossa surpresa, entretanto, a propagação apresentou-se 
muito ruim e, pior ainda, o QRM esteve altíssimo e  diminuiu apenas no sábado e domingo, 
baixando para 3. Assim, tivemos muita dificuldade de escuta na maior parte do tempo. Naquele 
final de semana, participamos do conteste IOTA, para o que os "notebooks" e a Morse Machine 
estavam devidamente programados.

Durante a operação, o relacionamento entre os membros do grupo mostrou-se amistoso, cordial 
e mesmo descontraído. A experiência de aproveitar a participação do Martins (PY2HN) e Jac 
(PY2PA) revelou-se muito positiva. Apesar de situados em QTHs algo distantes, fizemos muitas 
refeições juntos, o que estreitou os laços de amizade.

Terminada a expedição, carregamos o material na picape e – eu e Lunkes – voltamos ao 
depósito da transportadora em Guarulhos para as providências de reembarque das caixas com 
destino a Brasília. Na volta, Lunkes necessitou retornar mais cedo, de modo que utilizou a via 
aérea. Paulo, de carro, ficou retido em São José dos Campos por dois dias por absoluta 
impossibilidade de seguir viagem em decorrência da obstrução de várias rodovias pelos 
caminhoneiros. Teve de dar enorme volta para driblar os obstáculos e poder regressar.

Problemas detectados e outros aspectos críticos
Mais uma vez, não levamos fontes alternativas de energia. Assim, se houvesse pane no 
fornecimento de energia elétrica na ilha, ficaríamos QRT, o que, felizmente, não ocorreu. 

A propagação esteve muito ruim e o nível de QRM chegou a 10 db acima de 9 nos dois 
primeiros dias de trabalho. Nos dois últimos, o ruído baixou e pudemos alcançar mais produção, 
principalmente no sábado à tarde. A explicação de Jac para tanto QRM é a de que a maresia 
produz considerável acumulação de sal na rede elétrica, o que provoca centelhamento e, em 
conseqüência,  ruído na recepção. Tanto é que, depois da chuva que caiu na sexta, o nível de 
QRM baixou para 3. De qualquer forma, essa dificuldade foi a responsável por tão baixo 
rendimento – cerca de 800 QSOs –, ridículo, se considerarmos que transmitimos por quatro dias 
com quatro operadores experientes. Somente na prática, poderíamos sentir como o QRM é 
intenso naquele local e lembro-me de que Jac externou sua resistência a operar em ilhas 
habitadas. 

Uma das 3DX3 Jr., utilizada por ZY2SS, apresentou problema de acoplamento em 15 m, o que 
não ocorreu com a outra. Assim, essa faixa somente pôde ser trabalhada em CW com a DX88. 


Conclusão
Esta expedição, apesar do rendimento reduzido, serviu para aumentar nossa experiência, 
consolidar nossa posição no cenário do DX internacional e ampliar o leque de nossas opções 
com relação a operadores. Foi, enfim,  mais uma experiência que se agregou. Demos nossa 
contribuição ao programa IOTA ao participar do seu conteste e proporcionamos a centenas de 
colegas a oportunidade de faturarem SA-028. Tivemos a chance de conhecer pessoalmente e 
conviver com o Martins e o Jac, ótimos companheiros e operadores. Tivemos também condições 
de compreender por que a ilha de São Sebastião é tão pouco ativada (hi!). Por fim, restou a 
agradável lembrança de mais uma aventura, de estarmos num lugar tão bonito e agradável como 
Ilhabela (prevenimo-nos adequadamente contra os borrachudos), de, nos intervalos das 
transmissões, desfrutarmos de inesquecíveis momentos no barzinho do Fita Azul (fone 
0XX124722023), e de termos tido todo o apoio e atenção da Sra. Sônia Cavalheiro e da sua  
equipe. Até a próxima!