AS RÁDIOS LIVRES DO BRASIL E DO MUNDO

Muitos de nós já nos deparamos com a sintonia de uma emissora "pirata" que estava sendo justamente sintonizada em cima da frequência de uma emissora preferida. O que somos obrigados a fazer neste momento é trocar a sintonia e ouvir outra coisa, porque uma emissora que não queremos ouvir, está interferindo numa emissora comercial de nossa preferência. Muitos já tentaram trocar de antenas e encontrar outros aparatos para tentar diminuir esta interferência que não é contida nem pela Sociedade, nem pelo Estado. Hoje as emissoras piratas são mais de 300 só no Estado de São Paulo e os índices gerais nos dizem que este número deve aumentar. A idéia geral de rádio livre é que se trata de uma emissora sem fins lucrativos, normalmente comunitária e que se utiliza de baixa potência para sua emissão. Infelizmente não é isto o que acontece. Esporadicamente, transmitindo uma programação muitas vezes superior das ofertada pelas emissoras comerciais, estas rádios piratas se espalharam pelas cidades e ficaram. O Código Brasileiro de Comunicações não possui artigos para especificar estas atividades e os órgãos competentes são inoperantes no trabalho de fiscalização e controle destes grupos. Nos países ricos, como a França e a Inglaterra, onde as rádios livre são velhas conhecidas das autoridades, os governos locais instituíram uma legislação específica para esta causa e é normalmente seguida à risca pelas rádios livres. Para se ter uma idéia, em Paris, as rádios livres existem há mais de vinte anos e apenas cinco reclamações foram formalmente feitas às autoridades devido interferências causadas pelas emissoras comunitárias. Isto não é motivo para se pensar que a legislação é branda, muito pelo contrário, na França a interferência no espectro radiofônico é passível de multa e inclui pena de até três anos de prisão para os autores da interferência. A situação narrada nos leva a pensar porquê a legislação brasileira de Comunicações não pode então ser atualizadas às necessidades da população ao invés de apenas proteger cada vez mais os interesses de grandes grupos econômicos que se aproveitam desta condição para controlar o monopólio das comunicações do país? Existem zonas rurais onde as famílias quando reunidas não podem instalar suas emissoras de rádio local, pois o incentivo a estas atividades pelo poder público estatal não existe. O controle e a existência de uma rígida legislaçã não só é necessário, como é imprescindível para que abusos e demais irregularidades não façam destas possíveis concessões, um mercado de informações, mas as regiões rurais e a segmentação da sociedade dos dias de hoje já exigem um papel diferente do governo federal que por sua vez deveria promover melhor o incentivo das comunicações por todo o território nacional. A questão da Amazônia Legal, por exemplo, seria uma questão de muito interesse político e econômico. O índice de emissoras locais de rádio na região amazônica é o mínimo que pode ser imaginado. A Rádiobras mantém pela Rádio Nacional da Amazônia, um programa de rádio que é gerado desde Brasília e transmitido em Ondas Curtas para a região, porque sabe que a demanda de informação não é suficiente para atender às necessidades do povo amazônico. Entre estas e outras questões é que devemos nos unir e entender que o pais é NOSSO! Somos nós que fazemos dele uma grande nação e somente pelo nosso interesse é que podemos mudar estas situações. não adianta esperar que o governo faça. Antes de mais nada, nós, cidadãos brasileiros temos que nos convir de que somente a união entre todos e muito trabalho, poderá melhorar a condição de vida e assegurar o direito à informação de que precisamos. Denis Gomes Zoqbi Comitê Brasileiro de Rádioescuta Presidente, Jornal do Radioamador, Jan/Abr/96, Ano III, No 8, p. 16.