Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro

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QUO - VADIS CW?

Quo vadis ( para onde vais)? Eis um pergunta milenar que se aplica à nossa 
atual conjuntura no âmbito do cedablismo Tivemos anos áureos nas décadas de 
7Q e 80 A QRG literalmente pipocava de cedablistas brasileiros em todas as 
faixas e subfaixas Lembro-me que certa vez tive a ousadia de escrever que 
os prefixos brasileiros estavam dando origem a pile-up. Fui rapidamente 
criticado: Que é isso" Você está atrás da lua! Prefixo brasileiro causando 
pile-up.  
 
Não sei se tenho dom de profecia mas chegou a época, e estamos bem no meio 
dela, que o prefixo brasileiro causa pile-up mesmo!  
 
Temos recebido observações e queixas da área internacional lamentando a 
dificuldade de conseguir "faturar" uma estação brasileira. Dizem que, uma 
década atras, contactar, em curto período, 200 brasileiros diferentes não 
dava praticamente trabalho nenhum. Hoje, para fazer um QSO com uma só 
estação brasileira é uma caçada e tanto.  
 
Existem motivos para uma tão grande evasão Primeiro - o CW foi moda nas 
duas décadas passadas. Foi de bom tom estar fazendo CW. Houve um 
renascimento já que o CW nunca foi novidade e o Radioamadorismo começou com 
esta modalidade. Todos os modismos fatalmente ficam demodés (fora da moda) 
após uma certa época.  
 
Cada época tem a sua moda e cada moda tem a sua época. Mudam-se os vestidos, 
as roupas, os sapatos, etc. Entretanto, tenho observado, durante os meus 69 
anos de vida, que também isto é cíclico As modas antigas votlam 
periodicamente.  
 
Assim, creio que o Cedablismo voltará novamente à carga total após um 
certo tempo.  
 
Em segundo lugar vem a busca pelas novidades. Muitos dos antigos 
cedablistas fervorosos estão agora batendo papo na faixa dos 2 metros ou 70 
centímetros e o velho batedor está criando teias de aranha. Outros foram 
para a Informática passando horas fazendo tique-tique na frente do seu 
computador. Antigamente trocavam o seu TRX por equipamento mais novo e 
atualizado. Agora vão do XT para 286, 386, 486, lap-top, etc. Lembro-me de 
um cedablista que estava vendendo o seu TRX para entrar na Informática. 
Obviamente ele não é mais ouvido na QRG.  
 
Em terceiro lugar temos as "estrelas luzentes "no firmamento do CW que já 
conseguiram tudo: DXCC, Honor Roll e similares. Foram os grandes ases nos 
concursos nacionais e internacionais. Também não mais são ouvidos a não ser 
ainda em algum concurso especial.  
 
E, por falar em concursos - são excelentes e não negamos o valor deles. 
Entretanto, cremos que não servem como parâmetro para julgar a eficácia do 
cedablista nem do Clube ao qual pertence. Os concursos são esporádicos e 
deles participam muitos que durante o ano inteiro não aparecem pela QRG. 
São "cometas" que só brilham durante o concurso e depois desaparecem até 
ao próximo concurso. Devemos ter concursos também, além do "arroz-e feijão 
"de cada dia. O que valoriza o cedablista é o número de contatos que faz 
durante um certo período e não a quantidade de pontos que alcança num 
concurso.  
 
Estamos em crise. Pode ser que teremos cada vez menos cedablistas dedicados 
que se "casaram" com o CW "ate que a morte nos separe". Os verdadeiros 
valores aparecem durante as crises! O CW não morre. Pode desaparecer muita 
gente, mas os fieis e dedicados continuarão mantendo a bandeira erguida, 
servindo de exemplo para muitos. A persistência e o amor pela nobre causa 
manterão  
 
(PP5AS Grimm, AN-EP, VOL. 110, No 1, p.46)