Arquivo Histórico do Radioamador Brasileiro

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RADIOAMADORISMO: ASPECTOS FUNDAMENTAIS

 L. Oscar M. Ribeiro, PY1YLK

Nestes dias em que quase todas as faixas destinadas aos radioamadores se encontram congestionadas e com a grande afluência de novos companheiros no VHF, é importante recordar algumas regras fundamentais para que todos os nossos QSO sejam motivo de grata satisfação. Para começar, devemos fazer o possível no sentido de ter um Rádio sadio e educado, pois esta parece-nos a única maneira eficaz de proporcionar oportunidade iguais a todos. Devemos ter sempre em mente que não basta ao radioamador estar habilitado e possuir uma boa estação para que obtenha sucesso nos seus contatos; de nada vale um “shack” atulhado de equipamento sofisticado e caríssimo se para operar toda esta parafernália não há um radioamador consciente dos seus deveres e com conhecimentos técnicos básicos. É necessário - entre outras coisas - ser simpático, agradável na abordagem dos assuntos, respeitando sempre as opiniões dos companheiros. Sabemos que nem sempre é fácil, mas cultivamos um hobby que nos coloca permanentemente em contato com outras pessoas e, portanto, devemos ser sociáveis. O radioamador deve comportar-se com naturalidade, sem afetações ou ostentações de qualquer natureza. Somos todos nivelados por um indicativo de chamada - seja classe A, B ou C - e não há lugar no Radioamadorismo para qualquer tipo de discriminação. Isto está bem claro na regulamentação e faz parte, há muito, do nosso Código de Ética. Portanto, não se trata de novidade e as penas a que estamos sujeitos, uma vez caracterizada a infração, são bastantes graves. Por detrás de um microfone, encontra-se uma pessoa cujos hábitos, gostos e personalidade não são necessariamente os nossos. E isso é maravilhoso! Significa que estamos continuamente penetrando em um mundo alheio ao nosso e que é novo e palpitante. Significa, também, que nos enriquecemos a cada novo contato, pois, fazendo uso dos nossos sentidos, sempre aprendemos algo de novo ou firmamos as nossas convicções. Na verdade, as nossas experiências no Rádio, quer de ordem técnica ou vivenciais, não se diferenciam em nada das experiências por que têm que passar tantos outros seres humanos em suas lides diárias. O que nos engrandece e diferencia de muitos outros é o espírito de servir ao próximo e à nossa nação de forma tão decidida e abnegada. Os nossos conhecimentos devem estar à disposição dos colegas e, principalmente, dos iniciantes para quem o auxílio, a paciência e a tolerância servem de estímulo e exemplo. Afinal, eles contam com isso para desbravar o universo fascinante do Radioamadorismo, conquistar amizades e um lugar para si próprios. Saiba que certas práticas hoje reconhecidas como padrão são fruto do costume e da tradição e foram postas à prova por longos anos antes de serem adotadas e se firmarem. Algumas foram introduzidas há tempos e outras mais recentemente a fim de atender à mudanças de circunstâncias, necessidade e tecnologia. Todas visam os nossos interesses e é imprescindível a nossa colaboração a todo instante para que sejam obedecidas e respeitadas. É nosso dever zelar pela faixa, tanto quanto o é das autoridades governamentais e da LABRE. A regulamentação não trata dos detalhes referentes aos procedimentos recomendáveis ao radioamador. Isto porque os procedimentos e normas de conduta recomendáveis, nós mesmos os adotamos. Isto posto, lembremo-nos sempre de que não somos apenas um grupo de pessoas interessadas em um passatempo despretencioso e sem importância. Nós formamos um grupo auxiliar ao sistema de comunicações, com normas e rotinas bem definidas e claras. Não somos meros faladores! Para finalizar, estejamos sempre conscientes do fato de que, a cada minuto que passa, existe um radioamador prestando o seu auxílio à comunidade em que vive. Independente de credo, raça ou condição social, o radioamador é um herói anônimo que se solidariza com todos e deixa sempre uma lição de altruísmo e humildade em um universo cada vez mais atribulado.
FONTE: Revista Eletrônica Popular, março 1980, pág. 49