Alfredo M. Cerqueira, PY1AOD
Observando as evoluções da sombra de uma estaca durante o dia, você poderá determinar
facilmente a linha N/S para a sua antena.
Muitos colegas preocupam-se em saber a posição exata dos pontos
cardeais, para orientação da antena. Eu, particularmente, me preocupo em
dirigi-la para o maior sinal recebido, já que, em virtude de certos fatores
- como curvatura da Terra e refração do sinal -, a propagação não se faz
em linha reta nas grandes distâncias.
Para determinar rigorosamente a direção dos pontos cardeais, é
preciso ter conhecimento da hora exata, da posição do QTH, e fazer um
cálculo um pouco trabalhoso, com logaritmos; entretanto, podemos determinar
praticamente com bastante precisão, para efeito de orientação da nossa
antena, os pontos Norte/Sul por um processo que depende unicamente de um
pouco de paciência.
A bússola nos dá a posição aproximada do N/S magnético, se
desprezarmos o desvio da agulha causado pela influência de ferros imantados.
Para determinar o N/S verdadeiro, temos que fazer a correção da declinação
magnética, que varia para cada lugar e, também um pouco, anualmente.
No Rio de Janeiro, por exemplo, a declinação foi de aproximadamente
20 W para 1979.
As direções indicadas pela bússola no Rio são magnéticas e, portanto,
o Norte verdadeiro estará 20 à esquerda dessa direção. Se quisermos saber
a real direção do Norte, devemos fazer a ponta da agulha coincidir com 20 .
O processo prático para determinar a linha N/S consiste em marcar-se
a sombra projetada por uma vara ou estaca colocada verticalmente numa
superfície plana. O Sol, na sua trajetória aparente, nasce a leste,
projetando uma sombra alongada que, à medida que vai subindo, vai se
reduzindo, ao mesmo tempo que muda de direção progressivamente.
Se, nas proximidades do meio-dia, um pouco antes e um pouco depois,
marcarmos no plano dos extremos das sombras, e traçarmos uma curva
correspondente às direções, vamos notar que há um ponto em que o
comprimento da sombra é mais reduzido. Se desse ponto traçarmos uma reta
em direção ao pé da vara ou estaca, teremos o alinhamento N/S.
Às vezes, dependendo da época do ano, a curva fica pouco precisa;
nesse caso (Fig. 1), traçam-se com um compasso duas distâncias iguais a
partir da vara, cortando os dois lados da curva. Em seguida, com uma
abertura maior do compasso e com centro nos pontos a e g, marca-se o
cruzamento dos dois arcos. Ligando-se esses dois pontos, tem-se a direção
N/S com bastante precisão, já que a culminação do Sol se dá ao Norte ou
Sul ao meio-dia verdadeiro.
FONTE: Revista Eletrônica Popular, setembro-dezembro/1980, pág. 75.
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