qui. set 24th, 2026

Sim. Fenômenos climáticos como El Niño e La Niña podem influenciar a propagação em VHF, mas geralmente de forma indireta, ao modificar temperatura, umidade, pressão, ventos e a estrutura vertical da atmosfera. O efeito depende bastante da freqüência e do modo de propagação.

Em VHF, especialmente em 50 MHz (6 metros), é importante separar os mecanismos:



• Propagação troposférica: pode ser afetada pelas condições meteorológicas. Inversões térmicas, fortes gradientes de temperatura e umidade e sistemas de alta pressão podem favorecer refração anômala e dutos troposféricos. El Niño pode alterar a frequência e distribuição regional dessas situações.

• Esporádica-E (Es): extremamente importante nos 50 MHz. O clima na superfície não controla diretamente a Es, pois ela ocorre aproximadamente entre 90 e 120 km de altitude. Porém, há pesquisas indicando ligações entre a atmosfera inferior e a ionosfera através de ondas atmosféricas, marés e circulação de ventos, portanto padrões climáticos de grande escala podem ter alguma influência indireta.

• Propagação F2/TEP em 50 MHz: aqui o fator dominante é a ionosfera, sobretudo atividade solar, ionização, campo geomagnético, estação do ano e horário. El Niño tem importância muito menor do que esses fatores.

• 144 MHz e freqüências superiores: os efeitos meteorológicos tornam-se particularmente interessantes para propagação troposférica. Inversões térmicas e dutos sobre o oceano podem permitir contatos de centenas ou, excepcionalmente, mais de mil quilômetros.

Para o Sul do Brasil, há um aspecto interessante: mudanças provocadas por El Niño na circulação atmosférica, passagem de frentes, umidade e regimes de pressão podem modificar as condições para tropo em VHF. Na costa do Paraná e de Santa Catarina, a interação entre oceano, umidade elevada e inversões térmicas também merece atenção.

Pensando especificamente nos 50 MHz a partir do Sul do Brasil, não se usaria o El Niño como indicador direto de que “6 metros vai abrir”. Para prever uma abertura, seriam muito mais úteis conjuntamente fluxo solar, MUF, ionossondas, atividade geomagnética, mapas de Es/TEP e condições troposféricas.

Equipe Radioamador.Com

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